quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Curitiba

Pensamos numa cidade localizada entre Porto Alegre e São Paulo que não seja alvo de turistas nesse fim de ano. Chegamos a Curitiba. Os preços de hotel pareciam razoáveis, conseguimos passagens de avião e fomos. Luis precisa de silêncio e calma para escrever, afinal, o homem tem uma tese para entregar.

Assim que chegamos, notamos que a cama era desastrosamente disforme. Passamos o primeiro dia em Curitiba vendo, paralelamente, outros hotéis e como conseguir uma cama dura neste hotel. Na manhã seguinte o colchão foi trocado por um novo (tirado do plástico). Fomos ao Mercado Municipal e voltamos carregados de frutas frescas, secas e nozes.

Notamos que grande parte do comércio da cidade está fechado por causa do fim de ano e aprendemos (com sorte) que é preciso ligar antes de ir ao restaurante, para saber se está aberto. Caminhamos uns 4km até chegar a um restaurante japonês - ainda bem que estava aberto e que a comida era boa e o preço justo. Os outros restaurantes no caminho estavam fechados.

Estamos hospedados bem perto do Passeio Público, que começou como zoológico e ainda mantém algumas aves em jaulas. Talvez a população de homens de rua no centro de São Paulo seja tão grande (guardadas as devidas proporções) quanto aqui. Mesmo assim, o número de homens de rua sentados em bancos de praça com olhar vazio, dormindo em cantos ou na grama mesmo, conversando com alguém que a gente não vê, mancando apressadamente ou protegendo suas feridas é grande. Concentram-se no Passeio Público e praças do centro. No Parque Tanguá, nas beiras da cidade, havia três, um em cada banco, na parte de cima, onde turistas se aglomeram em poses soberbas para selfies na fonte.

Numa de nossas caminhadas, vimos um shopping cuja fachada era tomada por propagandas da Louis Vuitton e Prada. Entramos, para ver como é um shopping ostentação. Logo na entrada, dois guardas, um homem e uma mulher, posicionados a 20 passos um do outro, encaram as pessoas que entram no recinto. Não dão as boas-vindas, intimidam com o olhar quem não pode gastar ali. A sensação de andar por corredores largos e pátios externos ouvindo musiquinhas soft e sendo sempre vigiado é como estar numa bolha, em que a segurança e o conforto são mantidos com muito custo.

Um comentário:

Mônica disse...

Engraçado, outro dia, fui ao Shopping Cidade Jardim com uma prima. É um dos mais luxuosos da cidade atualmente, mas não senti os olhares da segurança. Sequer vi seguranças pelo shopping.

Os corredores, como vc disse, são bem largos.A arquitetura do Cidade Jardim é linda: há jardins que permeiam a edificação. As lojas são muito bonitas, mas permanecem vazias. Imagino que uma ou duas compras por mês é o que as sustente.

Não cheguei a ir ao cinema, mas minha prima disse que é uma experiência e tanto. Tratamento VIP.

Óbvio que não comprei nada. :)