sexta-feira, 30 de novembro de 2012

O tempo descompassado

Eu tinha uma esperança tola que o meu pedido de vacância na UNIR saísse no mesmo dia em que eu tomaria posse na UFSM. Saiu um dia depois, mas só no Boletim de Serviço. A publicação no Diário Oficial, que é pra valer, só saiu 3 dias depois de eu ter tomado posse.

Fui na folha de pagamento da UFSM, para saber se eu já tinha sido incluída. Ainda não, porque não tinham provas da vacância. Quando saiu no Diário Oficial, tentaram, mas não conseguiram me incluir na folha daqui, porque ainda não fui desvinculada da folha de lá. Não bastava o Diário Oficial, precisava constar no sistema.

Esperei dar as duas horas de diferença de fuso horário para pegar alguém na UNIR e me foi dito que sim, que vão colocar a minha vacância no sistema, porque isso tem que ser feito. Mas eles estão sem internet há dois dias. A solução foi usar modem 3G, sendo que só há um por setor. Essa internet é mais lenta que a internet de 1 mega que Rondônia oferece e faz acumularem-se as demandas da universidade.


8 comentários:

Anônimo disse...

Sei que essa visão que você tem é parcial. Não tem como ser diferente. Mas, ao mesmo tempo em que ela é parcial, ela é muito generalista. Vejo também que ela tem alguma frustração. As coisas funcionam, sim, quando dá. Mas onde não é assim? O problema, eu acho, é que o número de vezes que dá, "em Rondônia, ou que deu, para você, foi pequeno. Em Rondônia existe internet de mais de um mega. Veja bem, isso nao é uma defesa. É uma tentativa de pensar o que há por trás. Não sei se seria interessante, então, para além de assumir algo como dado, questionar as razões pelas quais isso é colocado, para você, como dado. E assumido como dado. E replicado como dado.

iglou disse...

Minha visão de Rondônia é de paulista que cai no faroeste. Claro que há bastante frustração com as dificuldades enfrentadas.

Tentei internet de 2 mega (uau, hein?) em várias operadoras, e todas me disseram que em Rondônia só é liberado um. Assumi essa informação como dado.

Luis disse...

Prejuízos pessoais possíveis à parte, os quais lamentarei muito se se materializarem, o problema não é do "tempo amazônico" ou de alguma característica homogênea e intrínseca à região. A infra que falta para serviços sociais, e para a UNIR, é a que sobra para o agronegócio, a indústria barrageira e as mineradoras.
E esse oeste (ou norte) distante foi colonizado e recolonizado por capitais do sul, muitos deles sediados na Av. Paulista, com beneplácito das elites políticas locais, parceiras desses mesmos negócios. Nesse faroeste, portanto, os bandidos mais perigosos agem a distância e em tempo real.

Anônimo disse...

Quando eu disse que "em Rondônia existe internet de mais de um mega", quis dizer que as coisas não são bem como você coloca. Uma tentativa de metáfora que, vejo, não funcionou bem (apesar de ser também um 'dado' - a que uso agora tem mais). Quando eu disse para ir além do que está dado, quis também pensar para além do que é colocado. E acho que o ponto é que as coisas não são assim e ponto. Existe muito por trás. E mesmo na UNIR, que é seu foco, a questão vai além da internet lenta. Era isso que eu queria dizer. Você que acompanhou bem a greve deve saber. É claro que sua vacância deveria ter saído. Você provavelmente - além da frustração - terá algum prejuízo. Mas acho que generalizar dessa forma apaga a verdadeira questão. Que não é a internet, ou só a internet. É um processo de precarização, de desvalorização, de falta de servidor, de acúmulo, de desgaste, de sucateamento... Que serve bem para alguns poucos. Enfim, da forma que você colocou, fica parecendo que, se tivesse internet rápida, a questão seria facilmente resolvida. E não acho que seja assim. Não vejo que seja assim. Por isso, repito que "em Rondônia existe internet de mais de um mega".
Fora isso, beijo de boa sorte aí pra vocês!
Mariana.

fran disse...

"Nesse faroeste, portanto, os bandidos mais perigosos agem a distância e em tempo real."

É isso aí, Luís! :-)

iglou disse...

Luis, entendi a sua ponderação sobre o que pareceu preconceito meu. Reformulei o título e tirei a minha conclusão generalizante sobre o tempo amazônico.

É a sensação de impotência diante do abandono, o desamparo e a falta de condições mínimas que sempre me incomodaram em Porto Velho e na UNIR.

Mariana, você teria me feito refletir com mais cuidado sobre as minhas descrições particulares que se tornam gerais ao leitor (mas não pra mim, tanto é que reforcei a mesma postura) se tivesse se identificado. Desculpa a frieza da primeira resposta.

Concordo contigo que o problema não é a internet, mas o sucateamento da universidade. Aí, em PVH, esse sucateamento é mais explícito e visível que aqui.

De qualquer forma (se não consegui acertar os ponteiros), obrigada a vocês dois por me sacudirem.

Luis disse...

Muito bem também Fran!Seu desabafo tá em linha com os comitês populares dos atingidos pela Copa. O de BH aliás muito ativo. Compartilhando aqui com os(A) que não tem Face:
"DESABAFO sobre FULECO:

Parece que está todo mundo super chateado com o nome da nova mascote da Copa de 2014: FULECO. Na moral? Tô nem ai!!! Aliás, acho que o nome fuleco representa muito bem tudo o que essa Copa significa para a sociedade
brasileira: lembra fuleragem e, no dicionário informal, fuleco quer dizer “cu” mesmo. Que melhor nome a mascote poderia ter? Achei ótimo, para não dizer perfeito! Se é para as pessoas se lembrarem dos desalojados, dos desvios de dinheiro, dos caixas 2, dos superfaturamentos, enfim, de todas as m* dessa Copa pelo nome da mascote, ora pois, que seja! Antes isso do que nada. Como dizem as bocas (sujas) por aí: COPA de FULECO* é R*!!! Escolheram o nome que lhe era de direito, BINGO!

E o tatuzinho bola de verdade, que deve ter ficado muito chateado com essa história toda, que nos perdoe. Este – assim como os desalojados, os roubados, os enganados... dessa Copa – é que deveria ocupar nossa atenção, nosso tempo, nossa mínima e virtual boa vontade, e não o tal FULECO. Sorte que, depois de 2014, o TATU BOLINHA vai continuar sendo, chamando TATU BOLINHA, meu parente bola (Sra Bolinha).

E tenho dito!"

fran disse...

Os (a) que não tem facebook... kkkkkk... Ai ai, Lou-lou...
:-)