quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Ponto de virada

Ontem começaram a circular e-mails entre os docentes em que se vislumbrava a possibilidade de sairmos da greve juntamente com as outras universidades e seus sindicatos. Na assembleia de hoje houve votação: 41 a favor da manutenção da greve; 5 (estou no meio desses) a favor de sair da greve com o ANDES e as outras universidades - se essa for a decisão do Comando de Greve Nacional. Nessa assembleia, pelo menos 60 pessoas assinaram a lista de presença (não sei ao certo se todos que assinaram são de fato docentes). 60 é pouco, mas é mais que nas assembleias anteriores, convocadas e divulgadas com pouca eficácia durante os cento e tantos dias de greve. As pessoas que são contra a greve e que votariam pela saída de greve não comparecem nas assembleias.
Muito se falou da greve passada. Na greve passada, a luta era contra a corrupção na UNIR. Na ocasião, um grupo de pessoas beneficiadas pela corrupção na UNIR quis encerrar a greve. Integrantes deste grupo estão no Comando de Greve atual. O presidente do nosso sindicato, que foi contra a greve passada e está no CG atual, disse na assembleia de hoje que teve orgulho de ver um cartaz afixado na UERJ dizendo o seguinte: "Greve boa é a greve na UNIR".
Grande parte dos que votaram pela manutenção da greve defendem que a greve continue mesmo que todos voltem ao batente, porque as condições de trabalho na UNIR não mudaram desde a greve passada. Alguns têm a clareza de que, se isso acontecer, será preciso muito mais mobilização pela greve do que trancar o portão da UNIR e fazer feijoada no campus.

Lentamente a UNIR toma consciência que terá que decidir se sai da greve com as outras universidades ou se continua lutando até o fim contra os moinhos de vento.

2 comentários:

Mônica disse...

Não sei, Lou. Acho que as greves não surtem mais o efeito desejado. Acho que os protestos devem procurar outros caminhos. Não é possível que só exista esse artifício para alcançar o objetivo da classe trabalhadora, qualquer que seja ela.

Talvez, como professores, o ideal seria educar suas classes sobre as ferramentas de que dispomos para mudar as leis. Como fazer um projeto de lei que venha do povo e não o contrário. Existe esse dispositivo. Podemos escrever um projeto de lei e recolher assinaturas suficientes para apresentá-lo ao Congresso. Com a internet, acho que ficou mais fácil.

Com a ajuda do seu sindicato, talvez fosse interessante redigir um projeto de lei em que o salário dos servidores públicos fosse determinado em plebiscito. O que acha?

iglou disse...

Concordo com você que greve de professores não pressiona o Estado. Parando por 3 meses, não ameaçamos o governo. Prejudicamos os alunos (os que querem entrar, os que estão na universidade e os que querem sair dela), mas não a política. E a política é cada vez mais de privatização do ensino. Talvez volte a valer a pena fazer greve quando as universidades particulares não tiverem seus lucros com os professores em greve. Mas aí está o nó: professores são descartáveis, já que há tantos deles no mercado.