sexta-feira, 4 de maio de 2012

Mad Maxi Driver: real e virtual

O cineclube deLírio existe em duas vias: a real, que agora acontece todas as quintas, mais ou menos às 17h numa sala não muito fixa na Unir; e da realidade virtual, que são as resenhas postadas no blog do cine deLírio.

O público real se mostrou sempre sensível a mudanças: quando mudamos de dia, muitas pessoas deixaram de vir. Quando teve a greve, o público demorou a voltar. As últimas sessões têm sido esvaziadas. Os debates, no entanto, sempre foram de alto nível.

O público virtual também passou por uma mudança, mas esta é constante e gradual. Quando começamos a postar nossas resenhas, pensamos em divulgá-las em fanzine ou jornalzinho, para que o público das resenhas crescesse. Chegamos a adotar a prática de ler as resenhas postadas previamente no início do debate pós-sessão.

Criamos uma comunidade de leitores de resenhas. Olhando o gráfico de visualizações de página do blog do cineclube, observo uma curva ascendente com dois vales: férias de 2010 e fim da greve, quando a reitoria tava sem energia e deixamos de exibir o cinegreve na escadaria. A resenha mais acessada (disparado) é a do Robson, sobre um dos filmes mais detestáveis (na minha opinião) que o cineclube já exibiu (Mad Max II). A atuação de Mel Gibson é horrível, a trilha sonora é o ronco dos motores, a agressividade é animalesca. A resenha, no entanto, é uma aula sobre distopia. A última resenha postada é a do Paulo Morais, sobre Taxi Driver. Outra resenha genial sobre um filme muito pouco agradável. Chamo o fenômeno de produzir resenhas ótimas a partir de filmes ruins de Mad Maxi Driver.

O blog conta atualmente com uma média de 100 visitas por dia. Na sessão passada contamos 7 pessoas, nas três anteriores foram no máximo 4 pessoas-público. A segunda resenha mais visitada é uma resenha minha, sobre dois documentários (O rio das Amazonas e Cidadão Jatobá) que foram exibidos para 1 pessoa - fora nós, do cineclube. Sinto-me tentada a comentar a terceira colocada, que é outra resenha do Robson sobre outro cine-velharia horroroso: Morte em Veneza. Robson tinha o dom. Sinto falta das resenhas dele e do seu pessimismo extremo, que chegava a ser cômico. Pois é, mas ele continua eternizado aí, na blogosfera, alimentando leitores com pelo menos duas resenhas geniais. E os leitores não se restringem à Unir ou comunidade. São de: Brasil> Portugal> Estados Unidos> Alemanha (deve ser a minha família)> Reino Unido> França> Rússia> Itália> Ucrânia (!)> Holanda. Pessoas desses lugares participam do cineclube numa outra modalidade: realidade virtual.

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