domingo, 4 de março de 2012

Mudança radical

Tenho dois celulares, mas é mais provável que estejam desligados ou longe de mim do que o cenário de pequena Lou dirigindo carro enquanto conversa no celular. No entanto, veio uma multa desse naipe para a proprietária de um veículo que me tinha sido emprestado no dia em que alguém foi pego ao volante daquele carro falando no celular. Como eu não era a única motorista que entrava em questão, pedimos para ver a foto do infrator no ato da infração. Não tem foto ou valor da multa (como também não tem radar ou fiscalização de trânsito em Rondônia). Mas era preciso assumir os pontos e pagar a multa, já que o carro estava sob minha responsabilidade no dia da infração. O prazo para apresentar o condutor (que assume os pontos na carteira de motorista) e o recurso (pedido de transformar a multa em advertência) era bem no meio do carnaval. Um dia depois do feriado olhei na carta da SEMTRAN, procurei o endereço no Google maps, montei na minha bicicleta e tomei chuva. Quando cheguei no endereço indicado, dei de cara com um prédio abandonado. Pingando, perguntei na loja ao lado onde era a SEMTRAN. Tomei mais chuva.

Enlameada, pingando e sob choque do ar condicionado, fui direcionada à mesa da funcionária que trata de multas de trânsito. Logo que me viu nesse estado, a mulher se derreteu: coitadinha, tomou essa chuva toda, que judiação, agora está com frio por causa desse ar condicionado, não, não tem problema se molhar o chão, querida. 

Quando ela viu que eu não tinha trazido nenhum xerox de nenhum documento, assinatura de proprietário ou condutor, nem os formulários adequados para abrir processo de recurso, todo aquele cuidado com a gata pingada sumiu. Tratou-me como trata todos os ignorantes que não entendem a burocracia.


2 comentários:

francismarys disse...

Em off, o texto sofreu uma "mudança radical"!
(hihihihi)

iglou disse...

Id escrevi, alter ego censurou a segunda parte, ego tirei.