quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Selbstverständlich

Difícil traduzir isso: algo que é óbvio, natural, esperado.

Somos seres humanos, mas não nos identificamos uns aos outros como pertencentes a uma comunidade de humanos. Talvez agora, que temos uma certa noção de que estamos destruindo o planeta e que é preciso salvá-lo, o sentimento de empatia e identificação com o outro esteja querendo nascer. Sempre nos identificamos com grupos menores, como por exemplo o círculo da família, escola, igreja, local de trabalho. Por isso a resistência a identificar-se com um estrangeiro ou estranho.

Pequenos gestos "naturais", contudo, me mostram que existe um tipo de empatia imediata com o completo estranho.

*

A mulher desceu com dificuldade do ônibus. As muletas vinham na frente, os pés hesitantes seguiam. Alcançou o chão e olhou para o degrau que era a calçada. Esticou a mão para uma outra mulher parada no ponto de ônibus. Essa senhora reagiu com naturalidade: deu a mão à outra e ajudou-a a subir o degrau. Não trocaram uma palavra, não houve agradecimento nem constrangimento.

*

Hoje comprei um espelho de parede. O vendedor ainda perguntou como que eu ia levar, eu respondi que dava um jeito de aprender a levar um espelho do meu tamanho na bicicleta (a Barra Forte, em que pedalo com a coluna reta). Enquanto eu pensava, ia atravessando a avenida. Do outro lado da avenida, um homem se escandalizou com o meu malabarismo. "Cuidado, mulher!" Tentei sorrir. Ele simplesmente esticou a mão, pegou o espelho e correu um passos ao meu lado, me dando tempo de subir no selim e atingir o equilíbrio. Quando isso aconteceu, ele me devolveu o espelho. Agradeci mais de uma vez por esse gesto inesperado de solidariedade.

3 comentários:

Ma disse...

Wunderbar, deine Geschichten, Lou. Die erste habe ich schon übersetzt und weitergegeben. Natürlich habe ich erwähnt, dass sie von dir ist.
Das Tolle an deinen Geschichten, oder der Art wie du schreibst, ist, dass man sich sofort viele Bilder im Kopf macht beim Lesen.
Pa und ich mussten so lachen, als wir uns vorstellten, wie da ein unbekannter lieber Mensch neben dir herläuft und deinen Spiegel trägt...
Du machst aber auch Sachen!
Liebe Grüße von
Ma

Fernando disse...

Hey! Não te contei, mas outro dia eu estava prestes a atravessar a rua e um senhorinha grudou no meu braço e disse: "Ajuda a vó a atravessar, meu filho". Se vc pensar que eu sou um cara que sempre está de cara fechada na rua e estar em SP (onde não existe nem sol, nem amor), ela foi bem ousada. Creio que mais impressionante que a empatia que temos recalcada é o fato de existirem pessoas que são capazes de apostar nela.

Beijos!

iglou disse...

Ferrone!

saudades de tu, poderoso moscovita! Esses dias me vi escrevendo a caneta tinteiro e pensei quando tinha sido a última vez que eu tinha usado aquela caneta. Provavelmente numa carta pra ti.