domingo, 20 de março de 2011

History repeating



A estrada de ferro Madeira-Mamoré, que liga Porto Velho a Guajará-Mirim, foi um projeto nacional para escoamento da borracha. Durante sua construção, entre 1907 e 1912, morreram milhares de trabalhadores vindos de todas as partes do país. A "ferrovia do Diabo" matava por acidentes e doenças tropicais no inferno verde. A estrada foi abandonada com saldo negativo e nenhuma indenização aos operários lesados.

Rondônia volta a chamar atenção na mídia por causa de uma obra faraônica nacional (Jirau é a maior obra do PAC do governo). Mais uma vez, grandes massas de trabalhadores são deslocadas para os confins do Brasil. Mais uma vez, o discurso que está por trás da obra é o progresso. Mais uma vez os operários são tratados injustamente (10 mil homens foram despedidos semana passada). E isso num governo PT (Partido dos Trabalhadores).

E por que essas coisas acontecem aqui? Aqui é úmido, quente e tem malária. Quando a água estiver represada, será que não vai ter muito mais malária? Se aqui morasse tanta gente como em São Paulo, será que haveria usina hidrelétrica num rio que não tem queda d'água? Por que as usinas atômicas de Angra não funcionam? Se elas estivessem aqui, no canto esquecido do Brasil, funcionariam? Pra onde vão os turistas? Não é pra Rondônia. 

Não cheguei nessas ideias sozinha: foram postas na mesa durante o almoço dominical com mais três professores da Unir.

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