terça-feira, 22 de março de 2011

Globalização

Quando o termo surgiu, não foi definido com muita precisão. A vagueza própria da língua permitia que o termo globalização fosse interpretado de diferentes maneiras, preferencialmente como uma grande comunidade harmoniosa, integrada e interconectada. Sim, sim, a "aldeia global" que cabe na nossa visão romântica de índios inocentes.
Imagem encontrada aqui

Um exemplo de que tudo valia para definir o termo nos seus primórdios, foi a anedota da véspera da abertura da Bienal (não lembro qual) em São Paulo. Diz a lenda que o curador deu a última volta pelo prédio, pra ver se as instalações estavam em ordem, os quadros no lugar, os projetores funcionando. Quando ele quis se dar por satisfeito, deu de cara com um nicho onde a faxineira tinha largado vassouras, baldes, panos e outros equipamentos de limpeza. O curador não achou ninguém que ele pudesse mandar guardar aquilo. Ele não se daria o trabalho. Sentindo-se muito esperto, o homem pegou um pedaço de papel e anotou lá o título da obra de arte diante de seus olhos: Globalização. Colou o papel na parede e provocou altas reflexões durante a exposição da Bienal.

Hoje, que o termo globalização não é mais definido em termos de comunicação, mas de economia, o lixo volta a ser tema central da globalização.

Enquanto as garrafas de água usadas e destinadas à reciclagem são mandadas dos EUA para a Índia, a Amazônia é sacrificada em favor do sudeste brasileiro. Desenvolvimento e progresso significam urbanização e vida "confortável". O progresso tem um custo alto para o meio ambiente, e quem paga esse preço não é o local desenvolvido, mas aqueles que estão em desenvolvimento.
Os projetos do rio Madeira marcam o início do maior aproveitamento hidrelétrico dos rios amazônicos. A energia, contudo, não ficará na região. O plano do governo é levar a maior parte dessa energia para os centros de consumo na região Sudeste, por meio da construção de um novo sistema de transmissão de 2,3 mil quilômetros. 
Parte da matéria retirada ontem da Folha.

4 comentários:

Álvaro Diogo disse...

Ótimo post!

Deixo a dica: http://www.youtube.com/watch?v=yRsRH4Pky18

Encontro com Milton Santos: O mundo global visto do lado de cá, documentário do cineasta brasileiro Sílvio Tendler, discute os problemas da globalização sob a perspectiva das periferias (seja o terceiro mundo, seja comunidades carentes). O filme é conduzido por uma entrevista com o geógrafo e intelectual baiano Milton Santos (1926-2001), gravada quatro meses antes de sua morte.
Considerado um dos maiores pensadores brasileiros do século XX, Milton Santos não era contra a globalização e sim contra o modelo de globalização perversa vigente no mundo, que ele chamava de globalitarismo. Analisando as contradições e os paradoxos deste modelo econômico e cultural, Milton enxergou a possibilidade de construção de uma outra realidade, mais justa e mais humana.

Abraços!

@alvarodiogo "Compartilhe suas ideias"
http://www.ideianossa.blogspot.com

iglou disse...

Taí: Milton Santos!
Obrigada por lembrar.

Marcela Bonfim disse...

pois é...

Essa dita globalização, ao contrário da defendida por Milton Santos, é mais uma das tantas facetas (nem digo que vigente) do sistema capitalista.

Em lugar dela, hoje, existem outros termos (na moda)que se encarregam de perpetuar a máquina capitalismo como por exemplo,o tal "desenvolvimento sustentável".

O capitalismo se esgota e se recria nele mesmo, a todo tempo. Esses termos funcionam como se fossem um rearranjo do próprio sistema.

E assim, as pessoas compram carros a álcool, pois faz parte desse dito desenvolvimento sustentável brasileiro. Sem contar que poluem menos!?!?!?!?!?

Grande sacada dos caras!

iglou disse...

É, Marcela.
Carl Sagan, grande divulgador da ciência, já dizia (talvez com outras palavras), na sua série "Cosmos" - que é de mil novecentos e carne assada - que o futuro só acontecerá se a humanidade não se auto-destruir.