terça-feira, 8 de março de 2011

Dança das cadeiras

Num certo momento, as pessoas na festa conversavam, bebiam e comiam. Falavam sobre seus bens de comsumo e consumiam o que o anfitrião oferecia. Nesse tempo, o governo era liberal, mas o acesso aos cargos públicos na educação não estava liberado. Universidades de renome viam o seu corpo docente minguando porque não havia quem preenchesse as vagas dos aposentados e falecidos. Os novos contratos eram para substitutos, eventuais e provisórios. Efetivo mesmo, só quem já estava dentro.

Mudou o anfitrião, azul-amarelo virou vermelho, mudou a conversa. Daí alguém foi lá e apertou o botão que liga o som. Abriram espaço na pista de dança e enfileiraram algumas cadeiras. Nesse tempo, surgiram novas universidades federais e, através de um programa chamado REUNI (Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), foram contratados milhares de docentes novos. Durante aproximadamente três anos, houve grande oferta de concursos para docentes nas universidades brasileiras.

O anfitrião saiu de cena e colocou uma pessoa de sua confiança no lugar. O governo era o mesmo, mas a euforia estava superaquecida. Os convidados dançavam em volta das cadeiras, avaliavam assentos diferentes, sonhavam com possibilidades, faziam planos. Eis que, para controlar a economia, a anfitriã apertou o botão que pára a música. Cortes orçamentários. Não haveria mais nomeações nem contratações de docentes, e concursos por vir foram suspensos. Quem tinha uma cadeira em vista, sentou-se. Quem, no conforto de sua cadeira, sonhava com outras, sentiu-se preso.

2 comentários:

Ulla disse...

Heisst das, Du kommst aus dem tropischen Fegefeuer nicht mehr raus? Aber schöne Stühle und gute Präsentationsidee. Liebe besorgte Grüsse

iglou disse...

Na ja, so definitiv ist es alles nun auch wieder nicht. Aber für die nächsten zwei Jahre bin ich an dieser brasilianischen Universität. Nicht tragisch.