terça-feira, 29 de março de 2011

A arte de negar em duas línguas

Nein, assim, curto e grosso, nega um enunciado.
Nicht nega ações.
Kein((e(r)/s) nega coisas.
Pra todos eles, o não dá conta.

Um nein com desprezo (e balançando a cabeça) é nääh!
Um nein sem o menor comprometimento (e com as sobrancelhas arqueadas) é .
Um nein acompanhado do levantamento de um ombro e um estalo de língua (e sorrindo) é nee.
Pra todos eles, um não dá conta.

Um nein mudo é mh-mh (em oposição a m-hhm).
Seu equivalente é ãh-ãh (em oposição a ãhã).

Nada é nichts, mas se não valer nada mesmo, sobra nix.
Nunca é nie, mas pra enfatizar a não-ocorrência em tempo algum, diz-se, com o dedo indicador levantado: niemals. Contudo, se o assunto for gente, vira niemand, que não é ninguém.
Nenhum vem acompanhado de muitas possibilidades: nirgendwas, nirgendwo, nirgendwer, nirgendwann.

Sem é ohne, mas se a ausência for positiva, é (gebühren)-frei. Se a ausência for lamentável, fica (trost)-los.

Um comentário:

ogum disse...

o alemão é interessante... uma riqueza estranha. não é a riqueza do esperanto, língua simples que com tantos prefixos e sufixos permite criações inimagináveis... mas permite uma riqueza conceitual muito maior do que as línguas semitas, sem o verbo ser. fico tentando imaginar como se estuda heidegger em tel-aviv. impossível ignorar por conta de hannah arendt, mas o trabalho deve ser imeeeeeeeenso!