quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Na caçapa

Ainda em Barão, fui jogar sinuca com o Junior e o Ruy. O Ruy é filho de um fera na sinuca, calcula os ângulos, tem um taco próprio e se surpreende quando erra uma tacada. O Junior se concentra, pensa, anda em volta da mesa, anuncia qual bola vai meter em qual caçapa e joga. Quase todas as bolas que eu encaçapei não estavam na minha mira e foram uma completa surpresa pra todos. O mais surpreendente é que eu ganhei a primeira rodada. As outras todas eu perdi, claro, mas me diverti pacas.
São Paulo, dia 11, de manhã. Desço as escadas seguindo o cheiro do café e cumprimento a Olga sentada no computador. Ela já avisa que a chuva da noite (nem dormi tranquila, sonhando com goteiras) fez o Tietê transbordar. Como chegar em Guarulhos se não pela Marginal? Vendo o noticiário do meio-dia, constatamos que a água já tinha baixado porque não chovia de dia. Em vez de pegar o ônibus de CGH a GRU das 16:00, preferi pegar o das 15:00, com medo da chuva que as nuvens carregadas anunciavam. Entrei no ônibus tensa, sem saber se o ônibus chegaria em GRU, se o avião levantaria vôo, se a minha bagagem me acompanharia pelos 3 aviões que eu pegaria no período de 24 horas.
O passageiro sentado do meu lado tirou uma antena do celular e começou a ouvir notícias sobre a chuva, os alagamentos e a calamidade. Fiquei irritada, mas os outros viraram as orelhas em direção àquele rádio. Daí o sujeito se entediou e começou a mudar de estação. Quando o dedo dele parou numa estação de música, meus sucos gástricos já estavam borbulhando. Abri a minha mochila e ofereci os meus fones (daqueles grandes, de estúdio, que cobrem a orelha) pro ogro. Ele agradeceu, recusou e desligou o rádio num só gesto.
Na aglomeração pra embarque em São Paulo (pro Rio) tinha muita gente. Um japonesinho fortinho se destacava, porque ele falava alto no celular:
- Eu? Não, agora eu tô sozinho, não tô namorando ninguém, não. Tô APAIXONADO pela vida.
As pessoas em volta deram risada, e quando a fila se organizou, um negro grandão chamou atenção do japonesinho: 
- Meu AMOR, a fila é por aqui.

No aeroporto do Galeão (Rio de Janeiro), eu tinha umas quatro horas de espera. Achei um lugar quieto e comecei a ler o meu presente de Natal da Denise. Um carioca sentou do meu lado, falando no celular. Uma mulher alternativa, de seus 50 e tantos anos, se desajeitou pra sentar entre mim e o vascaíno. Derrubou umas coisas que ele se dispôs a pegar. Em retribuição, ela lhe ofereceu biscoitos. Aproveitando o contato estabelecido, ela perguntou onde tinha telefone. Ele logo ofereceu o seu celular. Ela queria ligar pro seu filho, pra dizer que já tinha chegado. O filho estava em Porto Alegre. O carioca discou o número ditado pela mulher, mas ninguém atendeu. O vascaíno atendeu uma chamada. Não prestei atenção, mas ele falava de encomenda, contato, mermão, umas parada aí, o cara não atende telefone, tem que ir lá na feira e negociar com o cara. A mulher levantou e foi embora.
Pro vôo internacional - apesar de ser noturno - pedi um lugar na janela. Só tinha um lugar na janela: 40 Alfa, na última fileira, de frente pro banheiro. Os comissários se concentravam atrás de mim, na cozinha. Eles já tinham tido desavenças com um alemão que falou uma coisa numa língua que a comissária não identificou e que fez todo mundo em volta dele rir, deixando a moça com cara de tacho; com uma famíla de judeus que reclamava que a comida não era kasher; com um hippie que ignorava as regras de conduta dentro de um avião. Quando o avião pousou em Frankfurt, os comissários bateram palmas. Só eles se empolgaram com o pouso e o fim da viagem e fizeram festa. Um deles, quando percebeu que ninguém mais batia palmas, desprezou: esse pessoal é desanimado.

4 comentários:

Mônica disse...

Oba! Finalmente chegou na Alemanha!

Boa viagem!

iglou disse...

Frio, frio, frio!

Mônica disse...

Melhor do que a chuva que estamos tendo aqui.

bill disse...

ahahhah,
curti o lance dos fones.