quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A descrição encaixa

Dizem que Marco Polo era um grande mentiroso e que nunca chegou na China. Mas se você procurar pela definição de 'unicórnio' em alguns dicionários escolares, vai topar com ecos dos seus relatos. No século XIII, quando o veneziano partiu para a sua longa viagem, ainda se falava em unicórnios. Não que tenham sido vistos, mas faziam parte do inventário. Conta a lenda que quando Marco Polo chegou na China, avistou um animal fabuloso. Plácido, forte, majestoso, um cavalo do rio (do grego: hipopótamo) com um chifre no meio da testa. A descrição se encaixava perfeitamente para um unicórnio. Mas o mercador estava diante de um rinoceronte.

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Maíra tava me contando que dia desses (durante as férias) foi na biblioteca do IEL pra trabalhar em paz, quando topou com um ex-namorado meu. Identificou-o logo, sem sombra de dúvida, apesar de nunca tê-lo visto. Em primeiro lugar, porque ele era um dos poucos habitantes da biblioteca. Em segundo lugar, porque uma pessoa tão tímida só pode ter sido aquele poeta. Baseou-se no episódio em que eu lhe contei como conheci o rapaz. Contei que ele me disse que vivia na biblioteca, e um dia resolveu que precisava sair da companhia dos livros e interagir com as pessoas e que eu tinha sido a primeira pessoa que ele viu. A descrição encaixava perfeitamente, mas não era ele. Eu fui lá, identifiquei o rapaz que a Maíra descreveu e não vi o poeta.

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