quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Castell

Carlos foi me buscar na estação de ônibus de Tarragona. Caminhamos pela rambla nova da cidade e paramos na frente de um monumento. Carlos apontou para a torre de pessoas e me perguntou se eu sabia o que era aquilo. Respondi que eu via pessoas se equilibrando nos ombros de outras pessoas, formando uma torre. Carlos disse que esse é um esporte tradicional da Catalunya, que ele treinava essas formações de castells e que eu o acompanharia ainda naquela noite num ensaio.
Na Colla havia pessoas de todas as idades, homens e mulheres. Muitos andavam com um cinturão desajeitado por cima da roupa e uma bandana vermelha na cabeça. Aos poucos fui entendendo a funcionalidade de tudo. As pessoas vestiam o cinturão (um grande xale preto) com ajuda de outra pessoa. Enrolavam-se no pano preto pra que, depois, quem fosse subir por eles tivesse um apoio.
Fiquei fascinada com o senso de unidade que essa tradição proporciona. É preciso conhecer e respeitar o corpo do outro, é preciso proteger o outro, crianças e mulheres têm papéis tão importantes quanto os homens, e ao longo da vida uma pessoa pode mudar de função: os que agora sustentam a base do castell já foram as crianças que subiam ao topo. 

Na Colla tem teto, portanto existe uma limitação de altura dos castells. Quando se apresentam, costumam construir torres mais altas, que às vezes se desmancham de maneira imprevista.

3 comentários:

Natalie Rios disse...

Genial!

Xavier Brotons disse...

Siento no poder escribir en portugués, pero creo que si escribo en castellano se me comprenderá. Este post es muy interesante y felicito a su autora porque veo que ha entendido perfectamente el funcionamiento y el sentido de nuestros "castells", que en noviembre del 2010 fueron declarados, en Nairobi (Kenya), Patrimonio Inmaterial de la Humanidad de la UNESCO. ¡Muchas gracias, felicidades y un abrazo!

iglou disse...

Ei, Xavier!
Agradeço pelo comentário e por ter conhecido esta tradição que eu desconhecia completamente.
Abraço!