terça-feira, 13 de julho de 2010

Texto é trabalho

Se as pessoas que me entregam seus textos pra revisar soubessem como o seu produto descuidado me irrita, agride e ofende, talvez tivessem pena da revisora. Mas não é pena que eu quero, é respeito. Quando os textos são produzidos na Letras (não me refiro apenas aos alunos), a decepção se mistura com os desejos de morte.

Ortografias escandalosas, concordâncias orais, acentuação inexistente, excesso de gerúndios em sentenças inacabadas, espaçamentos duplos antes da vírgula, marcas de recortes e colas mal remendadas, plágios descarados e mal amarrados com o restante do texto, verbos engolidos e outras acrobacias da escrita me são entregues na maior tranquilidade. A pessoa que espera que eu revise o seu texto claramente não lê o seu texto antes de livrar-se dele. A pessoa acha que organizar as ideias no papel foi muito. Texto é trabalho. Quanto menos trabalho o leitor tiver para decifrar o texto, melhor. Quanto menos agredir o estômago e a paz interior da revisora, melhor.

Os químicos recebem um adicional por insalubridade. Eu não queria ganhar dinheiro pra revisar as porcarias que me dão, mas queria que as pessoas me tratassem menos como faxineira que limpa o que vomitaram no papel.

A pausa no fim do semestre será uma bênção. Reclamar da incompetência alheia cansa e faz mal.

2 comentários:

Phil disse...

ai Lou, que rancor...

Eu acho que você se deixa influenciar demais desses textos a últia vez que telefonamos esse era o tema principal!

Você tem que tomar distância disso. Isso faz parte do seu trabalho, mas isso parece tomar conta da sua mente...

Fica fria, sossega!

HDgdl! --> entziffere das mal!

PHIL

Mônica disse...

E aí? Já chegou a SP?

bjs