sexta-feira, 23 de julho de 2010

Minha programação


A programação geral do 58° Seminário do GEL (Grupo de estudos linguísticos do Estado de São Paulo) contava com uma novidade tecnológica: era possível clicar em coisas interessantes que se quisesse ver e assim montar uma programação particular. Montei a ‘minha programação’ duas semanas antes do GEL, não imprimi ou salvei como arquivo e deixei no próprio site do GEL, que eu acesso mediante senha.
Na véspera do GEL, quis voltar na ‘minha programação’, mas esse ícone não existia mais na página. No primeiro dia, quando fui buscar o material, comentei que eu estava sem programação personalizada.  A monitora me disse que o programa de computador que gerava essa programação customizada estava marcando locais, horários e datas de um GEL anterior, o que tava dando confusão. Como eu não tinha salvado a minha programação individual em lugar nenhum, tive que improvisar outra.
De manhã fui ver uma sessão de comunicações na área de Análise da Conversação. Descobri que existe uma Teoria do Riso. Pode ser útil um dia... Nessa mesma sessão, dialoguei bastante com um sujeito que analisava a ocorrência do tempo presente no lugar de pretéritos (perfeitos e imperfeitos). Ele disse que tinha achado poucos dados em material escrito. Sugeri que desse uma espiada em redações de aluno, porque que eles não sacaram ainda que existe uma separação entre oralidade e escrita. (Vixe, acabei fazendo uma anáfora conceitual: retomei o antecedente ‘aluno’ – singular - com um pronome plural - ‘eles’).
Dali fui pruma mesa redonda sobre ensino de língua materna e fiquei agradavelmente surpresa com o que pude observar do pessoal da USP. O quadro de professores mudou nessa última década, o que foi muito salutar pras atividades de pesquisa de lá.
Na sessão de pôsteres de trabalhos de iniciação científica, me diverti com os trabalhos de algumas pessoas. Uma moça analisou o discurso numa capa de VEJA (que, por coincidência, já tinha sido analisada em termos gráficos por um designer que participa da bicicletada). Discuti bastante com a moça que apresentou um trabalho sobre tabus linguísticos sobre fenômenos atmosféricos (!); descobri que Juruna é uma língua (indígena) tonal; consegui entender que o trabalho inicial de um foneticista que estuda uma língua mal descrita (Juruna) é de natureza técnica (pra começo de conversa, ele precisa de um estúdio pra gravar os informantes); descobri que na USP existe um curso de dois anos de “Ciências” (o moço me disse que estuda química, matemática, física, linguística, biologia etc.).
Acompanhei a Bia, minha companheira de congresso, na sessão de comunicações em que línguas indígenas foram discutidas. A postura desses pesquisadores é muito massa. São empolgados com os dados: analisam, sugerem, perguntam, palpitam, enfim, trabalham juntos. O congresso é, pra eles, um encontro presencial para um trabalho desenvolvido em conjunto na modalidade à distância. Não consegui levantar e ir ver o Luiz Arthur falando do esvaziamento semântico da preposição de porque eu tava no processo de decidir que vou me interessar pelas línguas indígenas de Rondônia.
No dia seguinte, apresentei o meu trabalho às 8:00 - pra monitora. As pessoas foram chegando conforme eu finalizava a minha apresentação sobre narrativas on-line (querendo dizer ‘produzidas enquanto registradas’, não significando que são virtuais, cibernéticas ou digitais). Não fiquei pra ver a apresentação dos meus colegas de sessão (porque eram sobre textos digitais, virtuais, cibernéticos e EAD). Saí dessa sessão de Linguística Textual e fui ver a Mahayana falando de anáfora conceitual na Psicolinguística.
Quis ver o Gilvan falando da oficialização de línguas minoritárias no Brasil, mas ele tinha mandado outra pessoa em seu lugar. Fui ver o Travaglia, cujos textos sobre verbos e transitividade eu li e usei. Apresentou a teoria que está desenvolvendo sobre categorias de texto, o que sempre é interessante (em vários momentos ele lembrou como chamava tal categoria em tal texto publicado em tal ano, ou reparou como uma outra categorização já o vinha incomodando havia dezenove anos).
Pra fechar o GEL com chave de ouro, fui num simpósio coordenado pela minha ex-orientadora. Sendo a primeira orientanda de doutorado dela, acabei não reconhecendo muitas orientandas da nova geração, mas elas me conheciam de nome e sobrenome: pra minha surpresa, virei referência bibliográfica de uma das orientandas dela. Não se passou tempo suficiente para grandes mudanças na Neurolinguística de orientação enunciativo-discursiva como praticada no IEL, mas percebi que elas transcrevem os dados de outro jeito que eu transcrevia. As questões metodológicas, a necessidade de afirmação da posição teórica adotada e as atividades do CCA continuam as de sempre.
Preciso voltar a estudar. Desde que virei professora universitária, deixei de pesquisar.

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