domingo, 19 de julho de 2009

Preparativos

Estou me despedindo das pessoas aos poucos. Alguns me dizem que eu sou louca, outros dizem que me invejam, outros ainda me dizem que farei falta. Todos me perguntam se eu estou ansiosa. Grande mudança pela frente. Vou morar sozinha pela primeira vez na vida (ok, tem a Akari, mas ela não conversa muito).

Eu queria cortar o cabelo antes de ir, porque lá, ao contrário daqui, faz calor. Aqui os relógios/ termômetros de rua me informavam de manhã que fazia 8°C. Em Porto Velho faz 33°C. Agora é época em que não chove lá, ou seja, o inverno deles é mais quente que o verão, porque não refresca.

Quis consertar coisas que desconfio não terem assistência técnica em Porto Velho. Mas como o meu primeiro salário como professora de inglês foi de R$ 84,00, tive que esperar um pouquinho pra consertar as coisas. Agora o salário dá e sobra pra consertar as coisas. O que ficou apertado agora é o tempo que eu ainda tenho em São Paulo.

Um exemplo de candidato a conserto é a minha bateria de laptop, que estava lentificando a contagem da memória na hora que o computador inicia, desconfigurando o relógio do computador e não estava mais segurando quase nada. Segurou duas horas por dois anos, depois disso passou a segurar uma hora, meia hora, quase nada. Levei na fábrica de baterias e o cara trocou o que tem dentro da bateria. Agora ela funciona bonitinho, mas só por uma hora. A outra coisa é a minha máquina fotográfica, que não conseguia processar luz natural. Levei na assistência técnica e me deram um prazo enorme pra fazer orçamento. Depois me deram outro prazo longo pra consertar a unidade ótica. Apressei os caras pra trocarem a peça e quando fui buscá-la, percebi que tinham mexido nas configurações da máquina. Ainda tava em alemão, mas tava fazendo aquele barulhinho odioso toda vez que eu apertava um botão qualquer. Quis mudar isso, entrando no Menu. Menu não reagia. A máquina voltou pro conserto. Expliquei que eu estava indo pra Rondônia pra morar lá. Me garantiram que mandariam a máquina por sedex assim que eu tiver um endereço lá.

Fui ver o meu saldo no banco depois dessas despesas e reparei que o cheque que eu tinha depositado com o meu salário não tinha sido creditado na minha conta. O cheque tinha sido devolvido. Está lá, na sua agência na Unicamp. Liguei pra escola explicando a situação e a Karin, (que já trabalha na escola faz 13 anos - que foi quando eu trabalhei pra eles pela primeira vez) sacando que temos conta no mesmo banco, transferiu o valor pra minha conta enquanto conversávamos no telefone. Pedi na agência pra rasgarem o cheque, já que eu já tinha recebido o dinheiro. O banco me mandou e-mail avisando que eu poderia retirar o cheque assim que voltasse de viagem. Percebi que é difícil de entender que alguém vá pra Rondônia pra morar lá.

Avisei a Olga quando eu faria a pendulação entre a casa dela, onde está a maior parte das minhas coisas e esta casa, onde estou eu. Pedi o carro dela emprestado pra juntar as coisas num lugar só e ela me avisou que estava de partida pra Minas Gerais de carro. Ainda bem que a Mônica é gente boa e me ofereceu o carro dela. Levei quase tudo pra casa da Olga. Esqueci os quadros que ficaram pendurados nas paredes. E esqueci a chaleira. Sempre esqueço a chaleira. Quando vim de Barão pra São Paulo, a chaleira veio na bicicleta.

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