domingo, 14 de dezembro de 2008

Lewis McFly

Não, ele não podia descansar. 
Não podia se dar o luxo de sentar, sentir o coração desacelerando, as mãos recuperando sensibilidade, o peito parando de pulsar, a cabeça perder aquele calor ensurdecedor. 
Tinha que continuar alerta: a ameaça podia vir de qualquer lado. 
Que horas são? 
Sentou-se no canto frio e escuro, ali mesmo, no chão. 
Está tudo grudando. 
Isso tudo é suor? 
Estava tudo errado. 
As pernas doem. 
Não entende por que estavam caçando um cara simples e sem-graça como ele, um engenheiro que bate cartão e nas horas vagas gosta de escrever contos. 
O que tem aqui, que dói tanto? 
O pulmão vem até aqui? 
Não possuía nada, não planejava nada extraordinário, não achava que tinha talentos. 
O som de passos pesados o arrastou de volta para a poça de medo em que estava sentado no canto escuro e frio. 
Seu cérebro comandou os músculos do corpo mais rápido do que seria capaz de acompanhar, nem chegou a endireitar a coluna e já estava correndo de novo.

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