domingo, 17 de agosto de 2008

Mapa antroplógico de São Paulo

Essa idéia de "mapa antropológico de São Paulo" não é minha, mas do Dionízio. De fato, cada canto da cidade tem sua tribo. Na Liberdade, é muito fácil ouvir línguas asiáticas; no Brás a culinária predominante é italiana; no centrão tem os policiais e os mendigos; na Paulista tem os yuppies de gel no cabelo e gravatinha moderninha e as mocinhas de sapatos pontudos e muita maquiagem na cara; no ônibus às 18:00 só tem peãozada: mais da metade da galera está dormindo. Nas redondezas do Shopping Interlagos tem os emus: adolescentes que se vestem de dark, usam o cabelo por cima dos olhos, fazem questão de indefinir o sexo e andam em bandos. Na Galeria do Rock tem os punks e os cabeludos e os tatuados cheios de piercings. Este é mais ou menos o mapa que Muntasir e eu traçamos desta megalópole.


Fui a São Paulo, ver uma apresentação da Osesp, executando Carmina Burana. A indicação era que eu descesse na Luz e caminhasse até a Praça Júlio Prestes. Tive que perguntar onde era a Sala São Paulo prum segurança do metrô: mas cê vai sozinha essa hora?
Havia muitas prostitutas loiras, barrigudas de perna fina e muitos mendigos bêbados no meu trajeto, mas nada que me metesse medo. Tive certa dificuldade pra acertar a porta de entrada da Sala São Paulo, porque a entrada mais óbvia e glamurosa era a porta pra quem vem do estaionamento. Eh, vida de motorizado!

Lá dentro havia madames com penteados cuidadosos e senhores muito sérios.

A primeira apresentação foi de Szymanowsky. A senhora que falava alto atrás de mim comentou, em alto e bom som:

-Esquisitinho, não!

Depois de primeiro movimento, ouvi os roncos dela. Quando Carmina Burana começou, ela prestou atenção.

Na Bienal do Livro tinha pouca gente, mas ficou claro pra mim que cada editora tem sua personalidade própria. 70% dos livros expostos vendiam o sucesso.
No parque Ibirapuera vi um montão de bicicletas caras, um montão de roupas esportivas de marca e caminhei pelo parque todo à procura do show de Jazz.
Achei o local do show: não era nem no parque, nem no auditório invertido, mas no estacionamento de uns prédios que eram da prefeitura. Ah, que maravilha ver tanto bicho grilo junto. Cabeludos, alternativos e pessoas dançantes ouvindo o sanfoneiro que se apresentava pelo Bourbon Street festival. E, atrás do palco, a lua eclipsada. Bem massa.

Pronto, aumentei o mapa antropológico de São Paulo.

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